Lei Ordinária nº 11.275, de 08 de julho de 2022
Dada por Lei Ordinária nº 11.275, de 08 de julho de 2022
Recursos não destinados à contrapartida
Contrapartida de convênios
ANEXO I A QUE SE REFERE A LEI N.º /2022
ANEXO DE RISCOS FISCAIS 2023
O § 3º do art. 4º da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, de 4 de maio de 2000, determina que a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO deverá conter o Anexo de Riscos Fiscais, no qual serão avaliados os passivos contingentes e os outros riscos capazes de impactar as contas públicas, demonstrando as providências que serão tomadas para cada risco.
O Demonstrativo de Riscos Fiscais e Providências, apresentado abaixo, tem o objetivo de dar clareza sobre possíveis acontecimentos que possam afetar o equilíbrio fiscal da administração pública e foi elaborado em conformidade com a 12ª edição do Manual de Demonstrativos Fiscais – MDF da Secretaria do Tesouro Nacional – STN, publicado em 31 de janeiro de 2022.
1. DEMONSTRATIVO DE RISCOS FISCAIS E PROVIDÊNCIAS
O demonstrativo divide os riscos em Passivos Contingentes e Demais Riscos Fiscais Passivos. A Contingência Passiva é uma possível obrigação que pode ocorrer ou não, dependendo de um ou mais eventos futuros que a entidade não tem poder de controlar. Essa obrigação não é reconhecida por ser improvável sua liquidação. Os demais riscos fiscais passivos identificam os demais riscos que possam impactar negativamente as contas públicas, por exemplo, a frustração na arrecadação prevista para ano.
A Prefeitura Municipal de Fortaleza – PMF apresenta 2 riscos de Passivos Contingentes: Demandas Judiciais e Correção de Precatórios. O risco das Demandas Judiciais foi estimado em R$ 30.632.144, que corresponde a 0,3% do valor previsto da Receita Corrente. A Correção de Precatórios foi prevista em R$ 116.850.004.
Os demais riscos são evidenciados pela frustração da arrecadação, pela discrepância de projeções, pela negociação de operações de câmbio e pelos depósitos judiciais.
A frustração da arrecadação estima a possibilidade de a receita arrecadada não atingir o valor previsto devido a acontecimentos que não existiam e não foram mensurados na época e foi aferida em 3% da receita tributária e das principais receitas de transferências constitucionais, totalizando R$ 163.421.413.
A discrepância de projeções estima a redução de receita e/ou aumento de despesa que possam ocorrer no exercício base da LDO decorrente de evolução desfavorável de indicadores econômicos utilizados na época de elaboração do orçamento. O valor da discrepância de projeções totaliza R$ 107.370.918, calculado em 1% da receita total prevista.
O risco de negociação de operações de câmbio estima a possibilidade de perda financeira em negociações cambiais devido às oscilações sofridas pela taxa de câmbio. O valor deste risco é de R$ 34.447.397 e foi aferido em 10% do valor do serviço da dívida.
O risco dos depósitos judiciais corresponde ao valor previsto que a PMF utilizou para pagamento de precatórios e que poderá ser devolvido, caso a decisão judicial seja desfavorável ao Município. O valor foi estimado em R$ 120.042.407.
Ressalta-se que o total dos riscos fiscais para o exercício de 2023 totaliza em R$ 572.764.283 e que as providências a serem adotadas, caso se concretizem, ocorrerão através da abertura de crédito adicional, a partir da utilização da reserva de contingência, no valor de R$ 30.000.000, e da limitação de empenho, no total de R$ 542.764.283.
ANEXO II A QUE SE REFERE A LEI N.º /2022
ANEXO DE METAS FISCAIS 2023
O § 1º do art. 4º da Lei Complementar n.º 101 – LRF, de 4 de maio de 2000, dispõe que o Anexo de Metas Fiscais, no qual serão estabelecidas metas anuais, relativas a receitas, despesas, resultado primário, nominal e montante da dívida pública, integrará o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO.
A elaboração deste anexo está em conformidade com os critérios e as medidas estabelecidos na 12ª versão do Manual de Demonstrativos Fiscais – MDF da Secretaria do Tesouro Nacional – STN, publicado em 31 de janeiro de 2022.
O Anexo de Metas Fiscais é composto por 8 demonstrativos, sendo eles:
Demonstrativo I – Metas Anuais;
Demonstrativo II – Avaliação do Cumprimento das Metas Fiscais do Exercício Anterior;
Demonstrativo III – Metas Fiscais Atuais Comparadas com as Metas Fiscais Fixadas nos Três Exercícios Anteriores;
Demonstrativo IV – Evolução do Patrimônio Líquido;
Demonstrativo V – Origem e Aplicação dos Recursos Obtidos com a Alienação de Ativos;
Demonstrativo VI – Avaliação da Situação Financeira e Atuarial do RPPS;
Demonstrativo VII – Estimativa e Compensação da Renúncia de Receita;
Demonstrativo VIII – Margem de Expansão das Despesas Obrigatórias de Caráter Continuado.
Conforme disposto no MDF, as metas representam a conexão entre o planejamento, a elaboração e a execução do orçamento e indicam os rumos da política fiscal do ente para os próximos exercícios.
Memória de Cálculo
A metodologia de cálculo das principais receitas e despesas será detalhada a seguir.
1.1 Previsão da Receita Tributária
Para cálculo da receita do valor principal de ISS, IPTU e ITBI foram utilizados a previsão de crescimento do PIB, o percentual de tendência, a inflação projetada (IPCA-E) e o percentual de ações de incremento.
A previsão do exercício de 2023 teve como base inicial a previsão de arrecadação para o exercício de 2022 atualizada em março:
Ressalta-se que no cálculo da Dívida Ativa foi retirado da base de 2021 o valor arrecadado referente ao Refis Covid.
1.2 Previsão da Receita de Transferências Correntes
O valor da receita do FPM e ICMS foi realizado pela mediana da Taxa Geométrica de Crescimento – TGC, apresentando em 2023 o total de R$ 1.183.678.149 e R$ 1.175.738.938, respectivamente:
Salienta-se que os valores das transferências constitucionais estão líquidos, descontando o percentual para a formação do Fundeb.
No exercício de 2023, o valor da transferência do SUS e do Fundeb foi calculado pela respectiva inflação do período (10,06% em 2021 e 6,86% previsão 2022), totalizando o valor de R$ 1.294.119.791 e R$ 1.471.694.589, respectivamente:
1.3 Previsão da Receita de Contribuição, Patrimonial, de Serviços e Outras Receitas Correntes
As Receitas de Contribuição do Servidor Ativo (receita orçamentária corrente) e Contribuição Patronal (receita intraorçamentária corrente) foram aferidas, para o exercício de 2023, em 18% da receita arrecadada em 2021, referente ao aumento da folha, mais 6,86% da inflação projetada para 2022, mais 1,5% alusivo ao crescimento vegetativo.
Salienta-se que em 2024 foi estimada a quantia de R$ 190.000.000 referente à Receita de Cessão do Direito de Operacionalização da Folha de Pagamento.
A estimativa do valor da Receita de Serviços foi realizada pela TGC de 10,11% a.a., totalizando R$ 241.480.842 em 2023.
O valor das Outras Receitas Correntes foi aferido pela TGC de 5,13% a.a. Ressalta-se que foi somado à base de cálculo de 2023 o montante de R$ 86.000.000 referente à perda de receita em 2021 das multas de trânsito.
Salienta-se que, para os exercícios de 2024 e 2025, está sendo considerada a expectativa de refinanciamento da dívida, bem como da contratação das operações de crédito do PROINFRA/AFD e PROREDES II/BID.
Ressalta-se que a regra de ouro foi respeitada, conforme estabelecido no § 2º do art. 12 da LRF, em que o montante previsto para as Receitas de Operações de Crédito não poderá ser superior ao das Despesas de Capital constantes do Projeto de Lei Orçamentária Anual.
O valor das Transferências de Capital permaneceu o mesmo previsto na LDO 2022 para os exercícios de 2023 e 2024, sendo aplicada a inflação em 2025.
1.5 Previsão da Despesa
O valor de Pessoal e Encargos Sociais em 2023 está previsto em R$ 5.575.213.472. Este valor é composto pela projeção da folha bruta mais encargos, no valor de R$ 5.491.149.540 somado ao montante de R$ 84.063.932, referente ao pagamento dos precatórios. O valor previsto de pagamento de precatórios em 2023 corresponde a 1% da Previsão da Receita Corrente Líquida – RCL em 2022, conforme publicação do 1º bimestre de 2022 do Relatório Resumido da Execução Orçamentária – RREO.
O valor dos serviços da dívida totaliza R$ 344.478.969 em 2023, sendo R$ 112.853.657 de Juros e Encargos da Dívida e R$ 231.620.312 de Amortização. O câmbio considerado para previsão foi de R$ 5,1394 em 17/03/2022.
O valor da Reserva de Contingência foi previsto em R$ 30.000.000 para 2023 e os 2 (dois) exercícios seguintes, dentro do limite de 1% da Receita Corrente Líquida – RCL.
Ressalta-se que a relação entre as despesas correntes e as receitas correntes está abaixo do limite de 95,00% estabelecido pela Emenda Constitucional n.º 109/2021, de 15 de março de 2021, apresentando resultado de 94,98% em 2023, 91,94% em 2024 e 91,92% em 2025.
2.Demonstrativos
2.1. Demonstrativo I – Metas Anuais
Conforme MDF, o objetivo deste Demonstrativo é orientar a elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual – PLOA de forma a permitir o alcance das metas conforme planejamento e contempla dados da Receita Total, Receita Primária, Despesa Total, Despesa Primária, Resultado Primário, Resultado Nominal, Dívida Pública Consolidada e Dívida Consolidada Líquida, em valores correntes e constantes.
Segue memória de cálculo do Demonstrativo I – Metas Anuais.
O Resultado Primário é obtido pela diferença entre as receitas primárias e as despesas primárias e demonstra a economia fiscal que o ente tentará alcançar e o esforço para amortizar a dívida pública. No exercício de 2023, o valor previsto da Receita Primária é de R$ 9.581.900.927 e da Despesa Primária é de R$ 9.444.590.923, estabelecendo uma meta de Resultado Primário de R$ 137.310.005.
O Resultado Nominal representa a variação da Dívida Consolidada Líquida – DCL em um período e pode ser obtido a partir do Resultado Primário por meio da conta de juros (juros ativos menos juros passivos).
O Resultado Nominal pode ser obtido pelo método “acima da linha” e “abaixo da linha”. Pelo método “acima da linha”, o cálculo é feito por meio do Resultado Primário somado à conta de juros. O método “abaixo da linha” representa a diferença entre o saldo da DCL em 31 de dezembro do mês anterior em relação ao período de referência.
Ressalta-se que a meta do Resultado Nominal deve ser elaborada conforme metodologia acima da linha. Em 2023 a meta do Resultado Nominal é de 74.920.606. Ressalta-se, ainda, que não há limite preestabelecido em lei. O Município é que fica responsável por estabelecer as metas de Resultado Primário e Nominal.
Conforme art. 29 da LRF, a Dívida Consolidada – DC representa o montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a 12 (doze) meses. Também integram a Dívida Pública Consolidada as operações de crédito de prazo inferior a 12 (doze) meses cujas receitas tenham constado do orçamento.
Para 2023, o valor da Dívida Consolidada – DC é de R$ 3.420.627.065. O saldo inicial foi calculado pelo saldo da DC de 2021, valor de R$ 2.896.683.569, mais o valor de R$ 529.706.894 das operações de crédito, menos o valor de R$ 194.500.000 de Amortização previstos na LOA 2022, menos a amortização, em 2022, do adiantamento contratual da venda da folha (R$ 67.400.000), totalizando assim o saldo inicial de 2023 de R$ 3.164.490.463.
Os demais anos seguiram a mesma metodologia de cálculo, conforme tabela abaixo:
A economia mundial no ano de 2021 foi marcada pela pandemia da Covid-19. Houve um agravamento da pandemia no ano de 2021, e isso pode ser evidenciado pelo número de mortes verificadas no Brasil, um total de 412.880, representando quase o dobro do verificado em 2020, conforme dados apresentados pela Agência CNN. Contudo o referido exercício é bem marcado também pelo início das vacinações, que, embora tenham tido começo lento, com o decorrer do ano, durante o segundo semestre, aceleraram.
Nesse sentido, a retrospectiva da economia brasileira no ano de 2021 traz como variável determinante no seu comportamento a Covid-19. E a partir dessa relação causal registramos aumento no desemprego e avanço da inflação, chegando a 10,06% no ano, muito acima da meta do Banco Central do Brasil, cujo centro indicava 3,75% ao ano. Esse comportamento inflacionário levou o Comitê de Política Monetária – Copom, na sua última reunião do ano, à elevação da taxa básica de juros, a SELIC, que fechou o ano com 9,25%, maior patamar desde o ano de 2017.
A Ata da 243ª Reunião do COPOM, realizada nos dias 7 e 8 de dezembro/2021, publicada no dia 14/12/2021, diz, literalmente, nos parágrafos 16 e 17, a título de decisão de política monetária: “16. Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual, para 9,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”; “17. O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.”
Alguns fatores impactaram a inflação nesse ano. A crise hídrica, tendo em vista que as usinas hidrelétricas constituem a principal matriz energética brasileira, e, com a escassez de água, foi preciso ligar usinas termelétricas, que produzem energia a um custo mais alto, o que impactou no preço da conta de luz de todos os consumidores.
Sobre a crise hídrica, atualmente o risco de um apagão segue mais distante, mas ainda é monitorado pelo mercado. Além disso, o aumento no preço internacional do petróleo também trouxe alta nos preços de consumo dos combustíveis, afetando o custo de transporte, o que transversalmente impacta em vários segmentos da economia, sobretudo o de alimentos; ademais, há a desvalorização do real em relação ao dólar americano, a qual determinou a inflação de importantes produtos consumidos no mercado interno. O dólar americano comercial fechou o ano cotado a R$ 5,5748. No ano, a moeda acumulou alta de 7,4% de acordo com os dados do Banco Central do Brasil – Bacen.
As exportações no Brasil somaram US$ 280,394 bilhões, alta de 34%, já as importações ficaram em US$ 219,386 bilhões, aumento de 38,2% na mesma base de comparação, um superávit na balança comercial brasileira de US$ 61 bilhões. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, alcançou US$ 499,780bilhões, elevação de 35,8%. Merecem destaque as vendas para China, Hong Kong e Macau, que avançaram 28%, para os Estados Unidos, 44,9% e, para União Europeia, 32,1%, de acordo com os dados extraídos da Secretaria de Comércio Exterior – Secex.
Quanto ao crescimento do produto interno bruto total, o último relatório Banco Central – Boletim FOCUS ,em 07/01/2022, estima um avanço de 4,50%, o que significa apenas um ano de recuperação em relação ao ano de 2020. No campo político, foi enorme o debate envolvendo a decisão do Governo de aprovar um novo programa social, chamado Auxílio Brasil, viabilizado a partir da PEC dos Precatórios, com abertura de espaço fiscal para esse programa de transferência de renda, em especial.
No ano de 2021, apesar dos transtornos provocados pela pandemia e seus efeitos colaterais de desemprego, inflação, desvalorização do real e juros em alta, a Prefeitura de Fortaleza tomou decisões importantes na gestão fiscal, como contínuo controle dos gastos, a reforma previdenciária, o Programa de Recuperação de Créditos Tributários e Não Tributários (Refis), e a criação do Programa de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos, denominado Programa Fortaleza Cidade. Consideramos que a situação econômico-financeira alcançou resultados positivos, pois cumpriu todos os limites determinados pela Lei de Responsabilidade Fiscal. No campo da reforma previdenciária, o Município de Fortaleza estava com seu caixa muito pressionado pelos aportes adicionais de recursos ao Instituto de Previdência Municipal, mas agora com alívio, após a nova Lei que autorizou passar a contribuição dos servidores de 11% para 14%. A contribuição patronal continua sendo o dobro da respectiva contribuição do servidor ativo. Como repercussão financeira de curto prazo da nova Lei, o Tesouro municipal passou a realizar aportes mensais adicionais menores. A Prefeitura de Fortaleza implementou no primeiro ano da Covid-19, com base na decretação do estado de calamidade pública, e visando à mitigação dos riscos de negócios das empresas e pessoas, proteção social e redução das tensões, importante esforço fiscal, decretando, por alguns meses, a suspensão dos pagamentos das obrigações tributárias dos contribuintes, bem como os termos e notificações de fiscalização. Agora, no ano de 2021, a Prefeitura, por meio da Lei 11.100/2021 lançou o novo programa de recuperação, Programa de Recuperação de Créditos Tributários e Não Tributários (Refis), visando à retomada da economia. Esse Refis promoveu, pelo pagamento à vista, descontos de até 90% na atualização monetária, juros e multa, ou o parcelamento dos débitos em até 30 (trinta) meses, gerados até 31 de dezembro de 2020.
A receita e despesa total no ano de 2021 foi de R$ 9,01 bilhões e R$ 9,21 bilhões, respectivamente, e o resultado orçamentário deficitário apresentou-se na ordem de R$ 194,04 milhões. Nesse contexto, destacamos o nível de investimento, que fechou o ano com R$ 938,91 milhões, cujas principais fontes de recursos foram: realização das operações de crédito, R$ 390,01 milhões e Tesouro municipal, R$ 354,04 milhões. E, nessa linha dos recursos para investimento, ainda que tenha executado esse valor em 2021, o Município de Fortaleza ainda possui aproximadamente R$ 1,15 bilhões de operações de crédito a desembolsar. Esse valor a desembolsar é consequência principalmente das posições de contratos de crédito externo, e efeito da valorização cambial. E, a despeito de todas as dificuldades vividas em 2021, a Prefeitura de Fortaleza conseguiu manter o nível de investimento em relação ao exercício anterior, mesmo sem contar com acesso à contratação de novas operações. Nesse exercício de 2021, merece destaque o indicador da poupança corrente (despesas correntes x receitas correntes), critério aplicado pela Secretaria do Tesouro Nacional, um dos indicadores da Capacidade de Pagamento, que utiliza a ponderação dos 3 (três) últimos exercícios financeiros, e cuja nota de Fortaleza é “C”, mas, se levado em consideração apenas o ano de 2021, o indicador é 94,94%. Cabe ressaltar que esse resultado está em conformidade com o disposto na Emenda Constitucional N.º 109/2021.
2.3. Demonstrativo III – Metas Fiscais Atuais Comparadas com as Fixadas nos Três Exercícios Anteriores
Conforme MDF, o objeto do Demonstrativo é dar transparência sobre as metas fiscais dos 3 (três) exercícios e dos 3 (três) exercícios seguintes ao ano de elaboração da LDO para uma melhor avaliação da política fiscal do ente e deve vir acompanhado de memória de cálculo e análise de parâmetros para os valores apresentados nas metas.
Intentando apresentar uma avaliação fidedigna, as informações apresentadas tiveram como base as fontes oficiais credenciadas por instituições disponíveis em âmbitos estadual e nacional, quais sejam: Banco Central do Brasil, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
2.3.1. Política Fiscal
Restabelecer e manter a condição de situação fiscal forte e risco de crédito baixo representada, bem como assegurar o plano de custeio dos novos equipamentos entregues aos cidadãos de Fortaleza são os grandes objetivos do Plano de Equilíbrio Fiscal. Conquanto a matriz de compromissos assumidos revele o tamanho do esforço que será despendido.
O Município de Fortaleza obteve, para o exercício de 2022, a classificação final “C” na avaliação Capag, mecanismo de aferição da situação Fiscal e do Risco de Crédito utilizado pela Secretaria do Tesouro Nacional – STN. Tal classificação foi resultado da baixa performance alcançada no indicador de Poupança Corrente, obstando o Município de receber as garantias concedidas pela União no pleito de novas contratações de operações de crédito. Partindo de uma projeção conservadora realizada no início de 2022 e já absorvendo os impactos dos servidores e magistrados, o cenário projetado inicialmente é de 2,42%.
No entanto, para elevar a nota da Capag para ‘’B’’ em 2023, o Município de Fortaleza precisa atingir um nível de poupança corrente de 7,23%, ou seja, 2,22% além do que a Capag gera atualmente. Assim, por meio da implementação de medidas de ajuste, o Município está em busca da elevação da performance dos indicadores Capag, especialmente a geração de poupança corrente, ou seja, medidas que promovam o aumento da receita corrente e/ou a contenção de despesas correntes.
Outrossim, implementar medidas que aumentem a capacidade de investimento e a manutenção dos serviços públicos aos cidadãos. O propósito do atingimento de todas as metas estabelecidas é devolver ao Município a capacidade de tomar crédito e impulsionar os investimentos no sentido de atender de maneira mais rápida às demandas sociais em todos os níveis.
2.4. Demonstrativo IV – Evolução do Patrimônio Líquido
Conforme estabelecido no inciso III do § 2º do art. 4º da LRF, deverá integrar o Anexo de Metas Fiscais a demonstração da evolução do Patrimônio Líquido – PL dos últimos 3 (três) exercícios anteriores ao ano de edição da respectiva Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO.
O Patrimônio Líquido compreende o valor residual dos ativos após a dedução de todos os passivos. O resultado patrimonial apurado no exercício evidencia um passivo real a descoberto de R$ 17.509.918.453 decorrente do lançamento de provisão de passivo atuarial.
2.5. Demonstrativo V – Origem e Aplicação dos Recursos Obtidos com a Alienação de Ativos
Este Demonstrativo apresenta o valor arrecadado com receita de alienação de ativos, bem como seus rendimentos e o valor da despesa executada (despesas liquidadas somadas às despesas inscritas em Restos a Pagar Não Processados) nos 3 (três) exercícios anteriores ao ano de elaboração da LDO.
Ao final de 2019, foi criado o Fundo Municipal Imobiliário de Fortaleza (Fimob), como instrumento que destina os recursos oriundos da alienação de bens imóveis à aplicação na aquisição ou à melhoria de outros bens imóveis de utilidade pública, este fundo permitirá à PMF se desfazer de bens imóveis subutilizados e investir em outros que são estratégicos para a efetivação de políticas públicas na cidade. Além disso, a lei também autorizou a alienação de terras públicas que se encontrem livres de ocupação e sem previsão de utilização, diminuindo o ônus do Poder Público municipal pela depreciação do patrimônio imóvel.
No exercício de 2021, foi realizado o leilão público 01/2021, que resultou em um total de receita de R$ 1.164.993,36, em que R$ 1.082.576,00 é referente à Administração Direta e R$ 82.417,36 à Administração Indireta. Ressalta-se que houve receita de alienação de bens imóveis no valor de R$ 2.658.408,08. Na despesa, cabe salientar que houve execução na unidade 19101 – SCSP (R$ 4.488,00) e 19201 – AMC (R$ 27.507,40), totalizando R$ 31.995,40. A despesa se refere à aquisição de equipamentos e material permanente.
2.6. Demonstrativo VI – Avaliação da Situação Financeira e Atuarial do RPPS
Conforme MDF, o objetivo do Demonstrativo é dar transparência na situação financeira e atuarial do RPPS, orientando a elaboração da LOA.
O conteúdo deste demonstrativo apresenta os dados constantes no Anexo 4 – Demonstrativo das Receitas e Despesas Previdenciárias do RPPS e no Anexo 10 – Demonstrativo da Projeção Atuarial do Regime Próprio de Previdência dos Servidores do Relatório Resumido da Execução Orçamentária – RREO do último bimestre do exercício anterior ao de elaboração da LDO.
PROJEÇÃO ATUARIAL DO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES | ||||
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| Em Reais |
PLANO PREVIDENCIÁRIO | ||||
| ReceitasPrevidenciárias | DESPESAS | RESULTADO | SALDO FINANCEIRO |
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EXERCÍCIO | PREVIDENCIÁRIAS | PREVIDENCIÁRIAS | PREVIDENCIÁRIO | DO EXERCÍCIO |
| (a) | (b) | (c) = (a - b) | (d) = (“d” exerc. Anterior) + (c) |
2021 | 715.302.101,38 | 1.112.194.806,01 | - 396.892.704,63 | - 396.892.704,63 |
2022 | 690.913.014,49 | 1.224.907.759,74 | - 533.994.745,26 | - 930.887.449,89 |
2023 | 661.392.232,16 | 1.356.079.301,74 | - 694.687.069,58 | - 1.625.574.519,46 |
2024 | 633.004.011,85 | 1.469.686.618,83 | - 836.682.606,99 | - 2.462.257.126,45 |
2025 | 616.953.133,81 | 1.527.921.681,94 | - 910.968.548,12 | - 3.373.225.674,58 |
2026 | 601.526.538,21 | 1.577.108.346,54 | - 975.581.808,34 | - 4.348.807.482,91 |
2027 | 584.738.101,83 | 1.628.497.117,58 | - 1.043.759.015,76 | - 5.392.566.498,67 |
2028 | 565.532.316,90 | 1.684.680.211,58 | - 1.119.147.894,67 | - 6.511.714.393,35 |
2029 | 551.106.238,64 | 1.716.152.842,43 | - 1.165.046.603,79 | - 7.676.760.997,14 |
2030 | 531.569.654,48 | 1.765.559.095,01 | - 1.233.989.440,53 | - 8.910.750.437,67 |
2031 | 507.590.124,35 | 1.826.353.300,40 | - 1.318.763.176,05 | - 10.229.513.613,72 |
2032 | 491.574.182,52 | 1.847.995.212,60 | - 1.356.421.030,08 | - 11.585.934.643,80 |
2033 | 474.401.250,44 | 1.869.326.418,04 | - 1.394.925.167,60 | - 12.980.859.811,40 |
2034 | 458.000.736,65 | 1.880.890.613,97 | - 1.422.889.877,32 | - 14.403.749.688,72 |
2035 | 441.273.933,22 | 1.890.044.995,72 | - 1.448.771.062,50 | - 15.852.520.751,22 |
2036 | 424.048.081,86 | 1.895.599.639,49 | - 1.471.551.557,63 | - 17.324.072.308,85 |
2037 | 405.261.847,26 | 1.902.704.297,96 | - 1.497.442.450,71 | - 18.821.514.759,56 |
2038 | 387.177.909,72 | 1.902.272.278,51 | - 1.515.094.368,78 | - 20.336.609.128,34 |
2039 | 367.602.943,46 | 1.903.920.347,24 | - 1.536.317.403,79 | - 21.872.926.532,13 |
2040 | 349.364.898,52 | 1.895.499.916,83 | - 1.546.135.018,32 | - 23.419.061.550,45 |
2041 | 330.213.143,87 | 1.887.243.237,66 | - 1.557.030.093,79 | - 24.976.091.644,23 |
2042 | 311.455.982,87 | 1.874.688.340,57 | - 1.563.232.357,70 | - 26.539.324.001,94 |
2043 | 293.497.612,53 | 1.854.429.827,31 | - 1.560.932.214,78 | - 28.100.256.216,72 |
2044 | 277.263.289,16 | 1.824.095.804,34 | - 1.546.832.515,17 | - 29.647.088.731,89 |
2045 | 260.854.282,97 | 1.792.284.315,23 | - 1.531.430.032,26 | - 31.178.518.764,15 |
2046 | 245.620.843,06 | 1.753.381.347,99 | - 1.507.760.504,92 | - 32.686.279.269,07 |
2047 | 230.306.458,60 | 1.713.630.308,21 | - 1.483.323.849,61 | - 34.169.603.118,68 |
2048 | 217.041.306,20 | 1.663.572.846,85 | - 1.446.531.540,65 | - 35.616.134.659,33 |
2049 | 204.454.691,99 | 1.610.035.163,89 | - 1.405.580.471,90 | - 37.021.715.131,23 |
2050 | 192.765.244,40 | 1.552.108.848,19 | - 1.359.343.603,79 | - 38.381.058.735,03 |
2051 | 181.721.001,55 | 1.491.771.826,00 | - 1.310.050.824,45 | - 39.691.109.559,48 |
2052 | 171.510.959,82 | 1.428.101.853,35 | - 1.256.590.893,54 | - 40.947.700.453,01 |
2053 | 161.442.847,89 | 1.364.611.725,80 | - 1.203.168.877,92 | - 42.150.869.330,93 |
2054 | 152.358.600,01 | 1.297.790.592,67 | - 1.145.431.992,66 | - 43.296.301.323,59 |
2055 | 143.405.263,74 | 1.231.811.958,39 | - 1.088.406.694,64 | - 44.384.708.018,24 |
2056 | 134.804.054,56 | 1.165.513.861,06 | - 1.030.709.806,50 | - 45.415.417.824,74 |
2057 | 126.472.446,88 | 1.099.813.993,09 | - 973.341.546,21 | - 46.388.759.370,95 |
2058 | 118.515.334,75 | 1.034.406.776,62 | - 915.891.441,87 | - 47.304.650.812,82 |
2059 | 110.742.719,93 | 970.356.819,46 | - 859.614.099,53 | - 48.164.264.912,35 |
2060 | 103.287.885,77 | 907.340.354,60 | - 804.052.468,84 | - 48.968.317.381,19 |
2061 | 96.107.108,26 | 845.714.043,29 | - 749.606.935,02 | - 49.717.924.316,21 |
2062 | 89.140.870,80 | 785.886.624,56 | - 696.745.753,76 | - 50.414.670.069,97 |
2063 | 82.401.262,51 | 727.979.443,99 | - 645.578.181,47 | - 51.060.248.251,44 |
2064 | 75.921.768,63 | 672.010.191,12 | - 596.088.422,49 | - 51.656.336.673,94 |
2065 | 69.697.209,37 | 618.139.089,20 | - 548.441.879,83 | - 52.204.778.553,77 |
2066 | 63.735.985,61 | 566.444.811,99 | - 502.708.826,38 | - 52.707.487.380,15 |
2067 | 58.044.064,29 | 516.986.615,74 | - 458.942.551,45 | - 53.166.429.931,60 |
2068 | 52.625.597,55 | 469.808.009,25 | - 417.182.411,70 | - 53.583.612.343,30 |
2069 | 47.484.052,20 | 424.945.102,10 | - 377.461.049,89 | - 53.961.073.393,19 |
2070 | 42.622.389,64 | 382.428.982,48 | - 339.806.592,84 | - 54.300.879.986,03 |
2071 | 38.043.316,49 | 342.287.962,06 | - 304.244.645,57 | - 54.605.124.631,60 |
2072 | 33.748.795,05 | 304.544.704,04 | - 270.795.908,99 | - 54.875.920.540,59 |
2073 | 29.740.895,59 | 269.223.424,05 | - 239.482.528,46 | - 55.115.403.069,05 |
2074 | 26.021.371,13 | 236.346.624,50 | - 210.325.253,37 | - 55.325.728.322,41 |
2075 | 22.590.950,95 | 205.929.433,33 | - 183.338.482,38 | - 55.509.066.804,79 |
2076 | 19.449.123,14 | 177.977.303,62 | - 158.528.180,48 | - 55.667.594.985,28 |
2077 | 16.593.987,67 | 152.483.551,74 | - 135.889.564,06 | - 55.803.484.549,34 |
2078 | 14.021.610,47 | 129.423.741,67 | - 115.402.131,20 | - 55.918.886.680,54 |
2079 | 11.725.628,90 | 108.752.948,34 | - 97.027.319,44 | - 56.015.913.999,98 |
2080 | 9.697.321,27 | 90.405.771,50 | - 80.708.450,22 | - 56.096.622.450,20 |
2081 | 7.925.818,74 | 74.297.818,89 | - 66.372.000,15 | - 56.162.994.450,35 |
2082 | 6.398.022,48 | 60.325.622,85 | - 53.927.600,38 | - 56.216.922.050,73 |
2083 | 5.098.647,76 | 48.367.412,92 | - 43.268.765,16 | - 56.260.190.815,89 |
2084 | 4.009.991,62 | 38.280.131,07 | - 34.270.139,45 | - 56.294.460.955,34 |
2085 | 3.112.029,33 | 29.899.306,35 | - 26.787.277,02 | - 56.321.248.232,35 |
2086 | 2.382.843,73 | 23.042.339,67 | - 20.659.495,94 | - 56.341.907.728,30 |
2087 | 1.799.773,05 | 17.517.808,14 | - 15.718.035,09 | - 56.357.625.763,38 |
2088 | 1.340.738,69 | 13.136.295,26 | - 11.795.556,57 | - 56.369.421.319,96 |
2089 | 985.081,94 | 9.717.045,50 | - 8.731.963,56 | - 56.378.153.283,52 |
2090 | 713.884,47 | 7.091.313,61 | - 6.377.429,14 | - 56.384.530.712,66 |
2091 | 510.416,28 | 5.107.438,65 | - 4.597.022,37 | - 56.389.127.735,03 |
2092 | 360.468,52 | 3.634.268,29 | - 3.273.799,76 | - 56.392.401.534,79 |
2093 | 252.096,83 | 2.560.342,12 | - 2.308.245,30 | - 56.394.709.780,09 |
2094 | 175.257,17 | 1.791.733,23 | - 1.616.476,06 | - 56.396.326.256,15 |
2095 | 121.677,24 | 1.250.836,84 | - 1.129.159,61 | - 56.397.455.415,76 |
FONTE: ATUARH CONSULTORIA, Unidade Responsável: IPM. Emissão: 10/01/2022, às 15:34 | ||||
2.7. Demonstrativo VII – Estimativa e Compensação da Renúncia de Receita
O art. 4º, § 2º, inciso V, da LRF dispõe que a LDO conterá demonstrativo da estimativa e da compensação da renúncia de receita. Este demonstrativo deverá explanar os critérios para as renúncias de receitas, bem como suas compensações.
O art. 14 da LRF estabelece que a concessão ou a ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos 2 (dois) seguintes.
O valor da concessão de benefícios de natureza tributária foi estimado em R$ 77.398.464 para o exercício de 2023, R$ 80.263.889 para 2024 e R$ 82.956.172 para 2025. Salienta-se que a previsão se refere aos benefícios já existentes, uma vez que não há previsão de novos benefícios, e que não afeta o resultado fiscal, pois a estimativa da receita foi realizada considerando as renúncias.
2.8. Demonstrativo VIII – Margem de Expansão das Despesas Obrigatórias de Caráter Continuado
O art. 4º, § 2º, inciso V, da LRF dispõe que a LDO conterá demonstrativo da margem de expansão das Despesas Obrigatórias de Caráter Continuado – DOCC e será apresentado a forma como os valores foram obtidos.
Para o cálculo do Aumento Permanente da Receita, foi considerado o aumento da Receita Tributária, da Cota Parte do FPM, do ICMS e IPVA (com a dedução do Fundeb), totalizando R$ 668.038.364. O valor das novas DOCC totalizou R$ 103.412.880.